A roda

Acabou. 2011 acabou. Por todos os lados ouço, leio e vejo os mais incríveis balanços… Acho engraçado isso das pessoas enxergarem esse marco de 365 dias como um escudo de acontecimentos bons e ruins. Como se a vida respeitasse nossos prazos e só mudasse nossa sorte de acordo com o calendário que nós inventamos. Até consigo imaginar Chronos (o deus do tempo) girando os olhinhos e resmungando: “tolos”. Porque a verdade é que até podemos fazer nossos marcos, nada mais humano que marcos, mas a vida não liga.

Percebo o mundo ficar cada vez menor (na verdade queria dizer “mais pequeno”) e da minha janelinha o que vejo é a vida girar todos os dias, pra todos nós. Pessoas aparentemente invencíveis que sucumbem. Outras , a principio insignificantes, tomam uma força absurda, das maneiras mais inesperadas. Acompanhei estranhos e conhecidos receberem e darem notícias devastadoras (com esses estão as minhas preces) e de outro lado segui impressionantes histórias de grandes passos e vitórias. E lá no meio ficou a maioria: todos nós que sobrevivemos sem perdas muito dolorosas e sem grandes feitos. Pois vou mandar a real (sim, eu sou moderna!): como é bom sobreviver!!

Somos ingratos suficientes pra pensar que a vida nos esqueceu, que não nos deu emoções. Não é verdade. Ela girou e fomos poupados. Não, não seremos poupados para sempre, ninguém é, não sejamos gananciosos. Mas por ora fomos e devíamos nos dar por satisfeitos. Deveríamos aproveitar! Não, não precisa marcar a aula de paraquedismo! Deveríamos aproveitar pra aprender a viver. Desmerecer os males pequenos e mesquinhos, que nos chegam como coisas e pessoas e lamber até o último vestígio das pequenas e aparentemente desimportantes alegrias, que nos chegam como coisas e pessoas. Dias importantes são todos.

Proponho então um ano novo (ano?? tá…) diferente. Que ninguém queira mudar. Pra que mudar? Nenhum de nós vai se transformar na She-ra ou no Homem Aranha (espero sinceramente que não…)! Que o grande desejo de ano novo seja crescer.  Amadurecer o olhar. Olhar pra “sorte” e pro “azar”, pra “riqueza” e pra “pobreza”. Entender melhor o que precisamos e principalmente o que não precisamos, o que nos faz bem e o que nos faz mal. Crescer sem nenhuma pretensão de virar outro e ser feliz para sempre, pretender apenas aprender sobre quem somos e ser feliz quando der.

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O grande segredo para emagrecer

Muitas pessoas que leem minha história de emagrecimento me pedem ajuda, dicas. Fico sempre muito comovida, mas apreensiva. Por vários motivos. Não sou especialista em nada (aliás, como diz a máxima sobre jornalistas: somos especialistas em generalidades). Sei alguma coisa sobre emagrecimento, alguma coisa sobre atividade física, alguma coisa sobre autoestima. A maioria delas aprendi no tapa, vivendo.  E acho que todas as “dicas” úteis que sabia já publiquei aqui. O resto… Bom, 0 resto são dilemas de novelo de linha emaranhado. Cada um é um novelinho, todo troncho, tadinho, todo embolado… e cabe só a nós querer desembaraça-lo e cabe só a nós o poder de faze-lo. Falei um pouquinho disso no post “Muito prazer”.

As pessoas costumam dizer que o mais importante órgão sexual do corpo é o cérebro. Acho que não há verdade maior que essa. Só que tem muito mais por trás disso. Creio piamente que não é o corpo que emagrece, é a cabeça. E também creio que só a cabeça pode ser bonita ou feia. O corpo simplesmente acompanha. A gordura, a feiura, a sensualidade não estão no corpo de ninguém (E não! Esse não é mais um daqueles discursos sobre todo mundo ser lindo e magro). O que estou dizendo é: se seu íntimo achar que você deve ser gorda é exatamente isso que você vai ser. Se ele achar que você é feia, você vai ser horrorosa. E se ele achar que você vai ficar muito melhor sem a sua sexualidade, é precisamente sem ela que você vai ficar.

Sim!!! Existem centenas de razões metabólicas, hormonais, genéticas, não há como negá-las, mas a iniciativa de procurar soluções para esses e outros problemas está em um só lugar. Então, minha grande dica pra emagrecer é: vasculhe sua alma. O dia em que você acordar decidida olhe para ela como para aquele “quartinho da bagunça” e diga: é hoje! E ataque com tudo. O que isso significa? Depende de cada um. Pra uns pode ser uma crise de choro, pra outros um psicólogo, um amigo, um psiquiatra, um livro, uma briga, um rompimento. A resolução também pode passar por muitos caminhos. Pode ser um tratamento de saúde ou psiquiátrico, terapia ou nutricionista, personal trainer ou até mesmo (por que não?) uma cirurgia bariátrica. Ou quem sabe por nada disso, a não ser por você e um par de tênis?

Tenho uma certeza apenas: só vai começar dentro do novelo.  No momento em que aquele pedacinho importante se desenroscar. A resposta não vai vir do lado de fora. Os outros podem te ajudar a pensar, te inspirar, mas não sabem o seu segredo. Esse quem sabe é você. Se descubra, se conheça, se escarafunche…

“- Sabe o que é, princesa? Hoje eu encontrei a pessoa que eu procuro!

-Jura?!

-Bom se isso te satisfaz… eu juro, juro! Já disse que juro!

- Oh! Batata!

- Uma pessoa que eu quisesse comigo vinte e cinco horas por dia! Uma pessoa que me entendesse… que eu pudesse confiar…

- Oh, Batatinha, eu eu sinto isso também!!

- E essa pessoa princesa…

- Diz! Diz!!

- Essa pessoa… Sou eu! “

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A dor transformada

Tem uma coisa nessa vida que eu nunca entendi: câncer infantil. Não que não seja horrível em adultos, não que outras doenças não sejam igualmente devastadoras, mas ver crianças com câncer desde sempre despertou em mim… estupefação. Talvez por ser mais comum, talvez por ser mais evidente (a cabeça lisinha de químio é inconfundível). Não costumo questionar aquilo que considero desígnio Divino, mas juro que se tivesse uma audiência com Ele, de 5 minutos, era sobre isso que eu ia perguntar.

Deve ser por isso que o perfil de Twitter da Carol Varella (@ccvarella) me chamou atenção. E ele acabou me levando ao seu blog. Foi lá que a Carol contou a história da sua menininha, que aos sete anos teve que passar por coisas que ninguém deveria. Não foi a tristeza da história que me atraiu, mas a maneira como uma situação tão dolorosa era tratada: como algo a ser enfrentado, sem a autopiedade que costuma tomar conta de nós em momentos como esse e sem a arrogância de super-heróis. Estava ali o sofrimento que era de se esperar, mas encarado de frente, olhado nos olhos. Outra coisa que ficava evidente é que, nem nas piores horas, a tragédia daquela família era vista com individualismo, o tempo todo eles se perguntavam como poderiam ajudar outros na mesma situação. Eu me refiro a eles no plural porque a Carol e a Ana nunca estiveram sozinhas, elas tinham o Marcos, o pai da Ana, que entrou na vida dela aos dois anos e se recusou a sair. No dia 8 de julho de 2011 Ana Luíza se foi, assim como se foram algumas das crianças que estiveram no caminho dela durante sua luta, assim como se vão outras crianças que passaram pelas mesmas aflições de quem nunca ouvimos falar.

Desde então tenho acompanhado o luto da Carol pelo Twitter. Sigo com o coração de mãe, que não pode nem dizer que entende aquilo tudo porque nunca viu o filho seriamente doente, muito menos foi privada da presença dele no mesmo mundo, mas com a vontade sincera e inútil de poder chorar um pouco daquelas lágrimas. Só que ela tem feito muito mais que chorar, vem reciclando a tristeza, transformando-a em bem comum. Do mesmo jeito que converteu a luta da Ana em uma mobilização que atraiu centenas de doações de sangue e muita solidariedade, agora converte sua perda em um projeto. Carol e Soraya, mãe da Giulia, uma conterrânea e companheirinha de batalha da Ana, estão começando o sonho de ajudar crianças que passam pela mesma peleja de suas filhas. Principalmente as do Amazonas.

Ainda não sei direito como poderei ajudar, mas queria contar essa história. É uma maneira de repetir o que já tentei dizer em outros posts: A vida é uma jornada curta e o significado dela somos nós que damos. A Aninha em seus menos de 8 anos deu o dela.

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Existe vida depois do divórcio?

Desde sempre ouvimos falar do medo do desconhecido. A princípio soa como uma coisa esotérica ou de ficção científica.  Começamos a imaginar uma experiência extra-sensorial, ou abdução por extra-terrestres ou a mudança para um lugar muito distante. Mas dificilmente é o que significa. Na maioria das vezes o nosso desconhecido é uma coisa tão simples quanto um próximo passo.  E esse é o tipo que mais assusta. Tomar uma atitude que mude a vida, mesmo quando ela está insuportável, nos faz parar pra pensar, ou nem faz, às vezes o medo apenas nos paralisa.

Talvez seja por isso que o assunto divórcio apavore tanto as pessoas. Poucos tópicos são mais chocantes. A possibilidade de romper uma situação estabelecida e partir para a incerteza machuca. Deve ser porque poucos momentos na nossa vida são tão cheios de promessas duradouras e quebra-las nos parece intolerável. De uma coisa eu sei: poucas notícias são tão difíceis de dar e de receber. E digo mais: poucas são digeridas com tanta dificuldade. Chega a ser engraçado.  A primeira coisa que a pessoa diz quando você conta, quase num reflexo, é: vocês vão voltar. Os mais prudentes conseguem até usar um tom de pergunta, mas a maioria é categórica. Quando aconteceu comigo, depois de falar com as pessoas mais próximas, várias vezes eu tive que consola-las. Isso mesmo: consolar as pessoas da “tragédia” da minha separação.

No último século fomos tão criticados pela instituição do divórcio que o que ficou foi uma culpa enorme. Em nossas mentes estamos sempre desistindo a toa, sempre desvalorizando a família, sempre tentando a saída mais fácil. Será mesmo?? Não sou nenhuma especialista em estatística, nem tenho números, mas não é o que tenho visto. Vejo pessoas, mulheres e homens, tentando a qualquer custo levar relações  adiante, até limites inimagináveis. Isso até acabou criando um efeito colateral que seria cômico se não fosse trágico: mais de uma vez percebi inveja nas pessoas, principalmente nas mulheres.  Sim, inveja do meu divórcio. Não me lembro de ter visto esse olhar quando contava que tinha me casado.

Não, de maneira nenhuma faço apologia ao fim do casamento. Pelo contrário. Sou uma boba romântica e idealista que acredita que um relacionamento estável pode sim, fazer as pessoas felizes. Bem, não sou tão boba assim, né? Sei das dificuldades (ô, se sei!). Mas também sei que é preciso tentar.  Não existem príncipes, nem princesas, nem finais felizes, só pessoas que tiveram a sorte de ter encontros bem sucedidos. E mesmo essas, com certeza vão ter problemas. Mas acredito que uma relação a dois saudável é possível e se há quem julgue que encontrou uma deve defende-la com unhas e dentes.

Isso nada tem a ver com as armadilhas que a gente faz pra si mesmo, como a de se trancar em um casamento infeliz e passar a crer piamente que a vida se resume a isso. Em nome de que mesmo? De filhos que passam anos carregando nas costas pai e mãe emburrados que insistem em permanecer juntos? De um patrimoniozinho chinfrim de classe média? Do status  e segurança financeira que o casamento da (??????)? Do orgulho de não voltar atrás? Ou será que não é em nome de nada? Será que é só medo… medo do desconhecido, medo de ser sozinho.

Não zombo desse medo. Quem seria eu pra isso? Logo eu que passei tanto tempo refém dele. Só queria convidar a uma reflexão que eu gostaria de ter tido a lucidez de fazer antes do que fiz. O fim de um relacionamento, ainda que seja um casamento, ou uma união estável, ou um concubinato, ou seja lá o nome que você dê, não é nada mais que isso: o fim de um relacionamento. A vida, enquanto for vida, segue sempre e pode te surpreender com seus novos rumos e formas. E o desconhecido só é assustador até começar a acontecer.

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Será que eu sou louca… ou só mulher?

A medicina reconhece que alguns distúrbios psiquiátricos, por razões ainda não completamente esclarecidas, são mais comuns em mulheres, principalmente os relacionados a ansiedade e a depressão.  Temos até uma doença em nossa homenagem: a histeria, o nome vem da palavra grega hystéra, que significa útero. Acreditava-se que era uma doença exclusivamente de mulheres e geralmente provocada por abstinência sexual. Bem… não é. A definição mudou muito através dos séculos e hoje se sabe que homens também estão sujeitos à crises histéricas.

Há teorias que relacionam essa vulnerabilidade psicológica aos hormônios femininos e eu tenho uma certa simpatia por esse determinismo bioquímico, afinal quem pode negar a força que essas substâncias mágicas tem sobre nós? Não sobre nós, mulheres, mas nós, seres humanos. Para constatar isso é só observar um ataque de raiva de um adolescente e como ele acaba rápido e sem deixar vestígios, em meninos e meninas. Também podemos facilmente comparar estatísticas e experimentos e ver como a agressividade masculina está estreitamente ligada à testosterona. Sim, o sangue que circula por nosso corpo saturado desses “veneninhos” orgânicos pode nos transformar. Mas há quem ache pouco para explicar tanto. Essa corrente acredita que o papel histórico da mulher em desvantagem na sociedade seja o maior responsável.

No entanto, parece que não importa muito o rumo que a ciência tome, ou as provas que apresente, ou as mudanças sociais que ocorram, ou tecnologias que surjam, ou as conquistas feitas… nada disso. Nada parece nos distanciar de um rótulo bem simplificado: loucas. Qualquer indício de comportamento que os homens não entendam, fica decretado: somos loucas. Em outros tempos tínhamos mais status, éramos consideradas bruxas ou santas por nossas “esquisitices”, mas os tempos mudaram, o mundo ficou menos romântico e hoje somos só isso.

Às vezes os cientistas ainda tentam. Eles identificaram e popularizaram termos como TPM, pra tentar explicar ao mundo o que acontece nesse invólucro misterioso de bunda e peitos. Adiantou? Claro que não. A sigla se virou contra nós. Desde que ficou conhecida não podemos discordar de nada que fica óbvio: é TPM. Nunca é diferença de opinião, cansaço, ou stress, ou tristeza, ou raiva, ou dor como nos seres humanos normais (os homens). Outra coisa engraçada é ver a neurose da moda sempre ligada às mulheres. Porque é claro que se você não está de TPM, não pensa como eu e não reage como eu você só pode ser bipolar. Não que cientificamente o gênero feminino esteja mais propenso a essa também, mas e daí? Se parece não fazer sentido é insano, se é insano é feminino.

Por quê não dizer o mesmo das disparidades do comportamento masculino?A raiva masculina é muito melhor justificada, melhor compreendida, mais digna. Pode até estar errada, mas é plausível, não é motivo de riso. Sim, porque se  um homem levanta a voz em uma loja contra algum absurdo, ele perdeu a paciência com aquele abuso e tem toda razão. Se uma mulher faz isso ela é barraqueira. Se um homem tem acessos inexplicáveis de violência, se abre fogo contra estranhos (e não há como negar que na esmagadora maioria das vezes são os homens que fazem isso) ele só está sendo mau. Às vezes nem isso…  Se um jovem ao final de uma partida de futebol se joga brutalmente contra as costas de um colega, até causa indignação no começo, mas depois todo mundo entende. “Foi o calor do jogo”, “ele é jovem, não vamos exagerar”. Foi chamado de “covarde”, de “criminoso”, mas não ouvi ninguém dizer que ele é louco e ninguém procurou explicações no seu aparelho reprodutivo. Ah, se fosse uma mulher…

Sim, temos um comportamento cognitivo diferente. Sim, temos um jeito diferente de lidar com a emoção.  Sim, tem dias em que o estrógeno torna  tudo mais difícil e às vezes podemos até ter o “sexto sentido maior que a razão”. Mas será mesmo que evitar a todo custo o que se sente é mais racional? Será mesmo que nossos arroubos emotivos não podem ser um mecanismo inteligente de proteção ao invés de meros chiliques? Será que o que uma mulher diz quando está nervosa deve ser tão ignorado assim? Será que não há sensatez? Não seria mais justo dizer que pessoas de todos os gêneros estão sujeitas a se deixar levar por outras coisas que não a lógica? E também não é justo reconhecer que ainda quando somos mais impulsivos podemos estar sendo movidos pela razão, mesmo que não pareça? Talvez  seja hora de pensar que apesar de homens  não entenderem lágrimas, elas mereçam algum crédito.

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Como lidar com um homem mal-humorado

Conviver com pessoas mal-humoradas, principalmente com um homem num relacionamento a dois, pode parecer difícil, mas na verdade não é. Com um pouco de experiência você acaba aprendendo alguns macetes para tornar a sua vida mais fácil.

1- Assuma de uma vez por todas: a culpa é toda sua. Você invariavelmente fez alguma coisa, ou deixou de fazer alguma coisa, ou pensou em fazer alguma coisa, ou pior: nem pensou. Certo é que foi você.

2- Não espere que ele vá melhorar com a idade. Um homem que é mal-humorado aos 20 anos, vai ser mal-humorado aos 40 (provavelmente bem pior), só vai ter outras desculpas.

3- Nunca tente ficar ao lado dele mantendo o alto-astral. O mal-humorado é persistente, ele quer que o estado de espírito dele prevaleça e não vai sossegar até conseguir.

4- Carinhos e agrados não vão funcionar, pelo contrário. É atenção que ele quer, quanto mais tiver, pior vai ser o comportamento.

5- Não adianta tentar resolver o problema que você acha que o aflige, ele vai arrumar outro.

6- Não se iluda pensando que isolar vocês dois vai acalma-lo. Ele só vai aproveitar a oportunidade para tortura-la em particular.

7- Também não adianta tentar inseri-lo socialmente. Ou ele vai envergonha-la em público ou vai fazer o lorde e descontar tudo em você quando estiverem a sós outra vez.

8- Você vai achar que resolveu o problema quando tentar ignora-lo. De uma hora pra outra ocorre uma mudança milagrosa. Não se deixe enganar. Assim que você normalizar o comportamento o Neanderthal vai voltar.

9- Os ultimatos também são inúteis. Quando ele se sentir na iminência de perde-la parecerá lúcido, dará justificativas plausíveis,  vai apontar culpados  por tudo que já tenha dito ou feito. Você vai ficar tentada a acreditar e se se permitir pode passar o resto da vida assim.

10- A maneira mais saudável de conviver com um homem mal-humorado é: Não conviva. Fuja dele.

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Irrelevâncias



Existe sentimento mais humano do que a insatisfação? E chamo de insatisfação o que muitos chamam de inveja. Estamos sempre olhando pro lado. A fila do lado anda bem mais rápido, todo mundo sabe disso. O prato da mesa do lado é sempre bem mais gostoso do que o que eu pedi. O emprego do meu vizinho é muito melhor. A vida do outro é sempre mais feliz, mais interessante. O outro é sempre mais bem sucedido.

E é aí que começa outro dilema: quem é mais bem-sucedido? O empresário e a certeza de dominar os meios de produção? O empregado e suas férias garantidas? O político e a possibilidade de enriquecimento ilícito? O sem teto e a consciência tranquila? O autônomo e suas infinitas possibilidades? O funcionário público e o emprego vitalício? O milionário anônimo? A celebridade falida?

E a felicidade? O que é? O corpo perfeito? O desapego estético? O prazer da gula? A anorexia? Ter muitos filhos? Um vida independente? A velocidade? A segurança? Muitas viagens? Muitas raízes? Um grande amor? Vários amores? A fidelidade? Muitos amantes? Dez anos a mil? Mil anos a dez?

E se de repente não for nada disso? E se toda essa incerteza for só um artifício pra nos distrair da nossa única certeza? E se nossas vidas forem todas iguais? E se todos os caminhos levarem ao mesmo lugar?

Então talvez, e apenas talvez, devêssemos nos concentrar no próprio cardápio. Tentar esquecer o que a vida deu ao outro e pensar no que ela pode nos dar já. Tentar entender o que realmente nos interessa, seja o que for. Porque o que foi reservado pra nós, o que é reservado pro outro é um grande mistério e vai permanecer assim, seja uma fortuna na loteria ou uma doença raríssima.

Então talvez seja o caso de desfrutar do sono e da insônia, do grito e do silêncio, da falta e da fartura, do boteco e do bistrô, do tédio, da fome, do frio, do medo. Talvez seja o caso de encarar a vida pelo que ela é, uma experiência única e exclusiva, por mais repetitiva que pareça.

Carpe diem!  (o que quer que isso signifique pra você)

“Que a vida é mesmo coisa muito frágil,

uma bobagem, uma irrelevância,

diante da eternidade, do amor de quem se ama…”

Nando Reis

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Muito prazer

Mesmo depois desse tempo todo as pessoas ainda se espantam com o que eu fiz (leia-se: emagrecer 40 kg)… Ainda se divertem, ainda me perguntam como, ainda ficam confusas. E eu fico tentando explicar, procurando palavras, lembrando detalhes que possam ajudar, mas não sei se consigo. Porque pode soar meio estranho, mas na verdade foi tudo muito simples: eu me dei uma chance. Não a chance de emagrecer ou a chance de fazer uma cirurgia plástica, a de me resgatar. Uma vez decidida a trégua entre mim e eu mesma não vou dizer que o resto foi fácil, mas foi pacífico. A perda de peso, a atividade física, a auto-satisfação foram consequências e o resultado delas foi consequência das consequências.

A grande questão parece ser como essa decisão aconteceu. Outro dia um menino de 11 anos comentou de repente: “Você é muito pensativa, não é?” Pega de surpresa não consegui fazer nada além de concordar.  Ele retrucou devagar, com cara de sábio, encerrando o assunto: “É… da pra perceber”. E acho que foi assim, sendo pensativa, me escarafunchando. Mesmo quando os lugares certos são doloridos demais, cavando em volta. Acho que passei um bom tempo desse jeito, procurando em mim uma coisa que não sabia o que era e até procurando sem saber que procurava. Mas sempre “pensativa”, não tanto por convicção, mas por não conseguir ser de outro jeito.

Acho que o nome disso é auto-conhecimento. Quem diria que a pessoa que daria mais trabalho pra se conhecer nesse mundo seria eu mesma? Mas foi… E olha que ainda estou no processo… Acho que não peguei nem na mão de mim mesma. Como sou desconfiada!!! Ainda tento desfazer alguns enganos com dificuldade. Como é trabalhoso me fazer entender minha própria importância, me convencer de que tenho que cuidar de mim e o mais difícil: de que no meu coração eu sei o que eu quero e o que me faz bem. São horas e horas de conversa, com todo o tato e paciência do mundo porque se eu me exceder e tocar naquele ponto mais delicado eu mudo de assunto, me fecho e recolho a mão (tinhosa!!).

Mas como o mais devotado dos pretendentes eu persisto. É o preço de ser pensativa. Sei que minha felicidade depende do sucesso desse relacionamento e não vou desistir. Acho que por isso mantenho o blog: são minhas cartas de amor publicadas. Pra que eu possa entender e pra que assim outros entendam também. Recebo sempre mensagens de pessoas que estão em “crise conjugal” consigo, quem sabe ao ler minha história de autoamor elas possam refazer as suas? Porque, no final das contas, acho que é tudo que precisamos mesmo…

Para ver a letra e a tradução clique aqui

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Com uma ajudinha dos meus amigos…

Apesar das boas doses de ceticismo e ironia, que me acompanham desde que me entendo por gente, nunca consegui  deixei de lado um certo otimismo. A vida inteira ouvi pessoas contarem histórias de como foram abandonadas pelos amigos nas horas de maior necessidade, que sempre tiveram muita gente ao redor, mas que quando precisaram mesmo tinham sido deixadas sozinhas, que bastava coisas ruins acontecerem. Achava estranho… que teoria mais triste. Seria mesmo o ser humano tão pobre? Nunca deixei de olhar a minha volta acreditando que teria sempre com quem contar. E tive. E tenho.

Em nenhum momento difícil meus amigos me faltaram. O mínimo que tive de cada um deles foi uma sincera vigilância distante e ainda quando distante, alentadora… Não importa se a crise é emocional, financeira, pessoal, profissional ou física… Não sei se eles trabalham em turnos,  se tem uma rede de comunicação eficiente, ou uma logística impecável, não sei… Fato é que sempre tem um deles ao meu alcance quando eu preciso, me adivinhando. É das coisas mais preciosas que eu tenho na vida.

Ultimamente a ciência tem se voltado para o assunto e quase todo dia vejo as manchetes: “quem tem amigos vive mais”, “quem tem amigos tem mais saúde”. Os cientistas que me desculpem, mas eu já sabia. Qual o sentido da tristeza sem ninguém pra te consolar? Qual a graça da alegria sem ninguém pra repartir? E as fofocas? O que seria da vida alheia sem os amigos? Pra quem eu guardaria tanta informação inútil?

Eu não sei o que acontece com as outras pessoas, mas vamos combinar que ser amigo meu não é pra qualquer um. Tem que ter paciência, persistência (muita), paciência, tolerância (infinita), paciência, bom humor (inabalável) e paciência… e nem assim eles fogem!  Será que é sorte? (palavra de honra que não estou perguntando pra ganhar confete, é uma dúvida sincera). Talvez seja fé. Acho que eu tenho tanta certeza de que posso contar com eles, que acabam ficando ali, nem que seja por constrangimento, coitados. Ou talvez sejam só bons demais pra ser verdade… O certo é que tenho o privilégio de ter pessoas muito especiais em minha volta e serei eternamente grata por isso.

Aos meus amigos meu amor incondicional.

“E sei que a poesia está para a prosa

Assim como o amor

Está para a amizade

E quem há de negar que está lhe é superior?”

Caetano Veloso

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40 anos e beija-flor nas mãos

Foi na manhã da primeira noite que dormi em casa depois da cirurgia. Ouvi aquele barulho estranho, que já conhecia, mas levei um tempo para conseguir lembrar o que era: um beija-flor preso na minha sala se debatendo contra a porta de vidro. Sabia que ele ia acabar se machucando. Eu estava sozinha e a médica não ia ficar sabendo, então me levantei capengando para socorrê-lo. Não consegui espantá-lo abrindo a porta. Decidi pegar uma toalha e jogar sobre ele com muito cuidado, daí foi só segurar. Era lindo! Daquele tipo mais comum, furta cor de azul e verde, mas era um beija flor e estava na minha mão… Que emoção eu senti. Fiquei pensando como isso era raro… Fiquei pensando em quantas pessoas passam pela vida sem nunca segurar um beija-flor. Como não tinha ninguém pra testemunhar minha alegria, era pouco mais de 7 da manhã,  liguei para acordar o meu pai e contar pra ele (que me deu uma bronca e me mandou soltar o bichinho). Desliguei o telefone, fui até a varanda, pus a mão pro lado de fora e abri. Ele voou rápido, como se estivesse me enganando o tempo todo.

Nasci numa manhã de terça-feira, em 11 de agosto de 1970. Ou seja, exatos 40 anos atrás… Desde o começo da semana amigas mais velhas e mais maldosas, inconformadas com a diferença de idade, vem me perguntando como estou me sentindo. Tenho duas crenças a esse respeito. A primeira é que só tem um tipo de pessoa que não faz aniversário: as que já morreram. Sim, porque aniversário é isso, não é? Celebrar o fato de ainda estar vivo, e eu estou… muito. A segunda é que levando em conta que minhas duas avós viveram até 90 anos e duas de minhas bisavós foram centenárias, eu diria que sou uma forte candidata à longevidade. Isso significa que pra mim esse papo de meia-idade está longe de começar. Portanto a resposta é: estou me sentindo ótima.

Sim, às vezes sinto saudade de ter carinha de menina e vida despreocupada. Sim, às vezes questiono se tomei as decisões certas no meio do caminho. Sim, às vezes sinto que o tempo passa mais rápido do que eu consigo viver.  Mas sinceramente não lamento um dia sequer e não conto minutos nem marcas do tempo.

Ter vinte anos era bom? Era, mas o que seria de mim sem essa última década? Foi quando aconteceu boa parte dos principais eventos da minha vida. Fiz coisas imprescindíveis, aprendi lições imprescindíveis, conheci pessoas imprescindíveis. Há dez anos atrás, por exemplo, eu não tinha o amor da minha vida, ele ainda não havia nascido.

Não sabia ou não acreditava no tempo. No seu poder mágico, na sua sabedoria. Na possibilidade que a vida tem em se transformar de um ano para outro, de um mês para outro, de um dia para outro. Não tinha humildade para aceitar que algumas coisas mudam, queiramos ou não, e que outras não mudam nunca.

Não sabia o que sei hoje sobre paciência, tolerância, perdão. Não enxergava tão bem as limitações do outro nem as minhas e não sabia o valor de ignorar ou aceitar uma, outra ou as duas… Não conseguia dimensionar a importância ou desimportância das pessoas na minha vida, nem a minha significância (ou insignificância) na delas. Não entendia bem o preço e as consequências de falar e de calar. A solidão, a vaidade, a dor, a sensibilidade, a falta. Tantas coisas com que hoje lido tão melhor.

Mas talvez o maior segredo que a vida nos reserve para depois de certa idade seja o de que nada está pronto, pensado, ou resolvido. Temos que basear nossas certezas no simples fato de que não há certezas. Projetos grandes e pequenos fracassam e sucedem todos os dias, todos os dias pessoas repensam seus negócios, seus amores, sua saúde, suas crenças. Todos os dias reiniciam, todos os dias mudam de ideia, todos os dias aprendem. Porque vida é coisa que ninguém sabe mesmo quando vai começar ou terminar. Então é sempre tempo de segurar um beija-flor nas mãos.

Que venham as surpresas dos próximos 40 anos!

Presente de aniversário de J.S.H.

“Só uma palavra me devora

Aquela que meu coração não diz

Só o que me cega, o que me faz infeliz

É o brilho do olhar que não sofri…”

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