Acabou. 2011 acabou. Por todos os lados ouço, leio e vejo os mais incríveis balanços… Acho engraçado isso das pessoas enxergarem esse marco de 365 dias como um escudo de acontecimentos bons e ruins. Como se a vida respeitasse nossos prazos e só mudasse nossa sorte de acordo com o calendário que nós inventamos. Até consigo imaginar Chronos (o deus do tempo) girando os olhinhos e resmungando: “tolos”. Porque a verdade é que até podemos fazer nossos marcos, nada mais humano que marcos, mas a vida não liga.
Percebo o mundo ficar cada vez menor (na verdade queria dizer “mais pequeno”) e da minha janelinha o que vejo é a vida girar todos os dias, pra todos nós. Pessoas aparentemente invencíveis que sucumbem. Outras , a principio insignificantes, tomam uma força absurda, das maneiras mais inesperadas. Acompanhei estranhos e conhecidos receberem e darem notícias devastadoras (com esses estão as minhas preces) e de outro lado segui impressionantes histórias de grandes passos e vitórias. E lá no meio ficou a maioria: todos nós que sobrevivemos sem perdas muito dolorosas e sem grandes feitos. Pois vou mandar a real (sim, eu sou moderna!): como é bom sobreviver!!
Somos ingratos suficientes pra pensar que a vida nos esqueceu, que não nos deu emoções. Não é verdade. Ela girou e fomos poupados. Não, não seremos poupados para sempre, ninguém é, não sejamos gananciosos. Mas por ora fomos e devíamos nos dar por satisfeitos. Deveríamos aproveitar! Não, não precisa marcar a aula de paraquedismo! Deveríamos aproveitar pra aprender a viver. Desmerecer os males pequenos e mesquinhos, que nos chegam como coisas e pessoas e lamber até o último vestígio das pequenas e aparentemente desimportantes alegrias, que nos chegam como coisas e pessoas. Dias importantes são todos.
Proponho então um ano novo (ano?? tá…) diferente. Que ninguém queira mudar. Pra que mudar? Nenhum de nós vai se transformar na She-ra ou no Homem Aranha (espero sinceramente que não…)! Que o grande desejo de ano novo seja crescer. Amadurecer o olhar. Olhar pra “sorte” e pro “azar”, pra “riqueza” e pra “pobreza”. Entender melhor o que precisamos e principalmente o que não precisamos, o que nos faz bem e o que nos faz mal. Crescer sem nenhuma pretensão de virar outro e ser feliz para sempre, pretender apenas aprender sobre quem somos e ser feliz quando der.










