Será que eu sou louca… ou só mulher?

A medicina reconhece que alguns distúrbios psiquiátricos, por razões ainda não completamente esclarecidas, são mais comuns em mulheres, principalmente os relacionados a ansiedade e a depressão.  Temos até uma doença em nossa homenagem: a histeria, o nome vem da palavra grega hystéra, que significa útero. Acreditava-se que era uma doença exclusivamente de mulheres e geralmente provocada por abstinência sexual. Bem… não é. A definição mudou muito através dos séculos e hoje se sabe que homens também estão sujeitos à crises histéricas.

Há teorias que relacionam essa vulnerabilidade psicológica aos hormônios femininos e eu tenho uma certa simpatia por esse determinismo bioquímico, afinal quem pode negar a força que essas substâncias mágicas tem sobre nós? Não sobre nós, mulheres, mas nós, seres humanos. Para constatar isso é só observar um ataque de raiva de um adolescente e como ele acaba rápido e sem deixar vestígios, em meninos e meninas. Também podemos facilmente comparar estatísticas e experimentos e ver como a agressividade masculina está estreitamente ligada à testosterona. Sim, o sangue que circula por nosso corpo saturado desses “veneninhos” orgânicos pode nos transformar. Mas há quem ache pouco para explicar tanto. Essa corrente acredita que o papel histórico da mulher em desvantagem na sociedade seja o maior responsável.

No entanto, parece que não importa muito o rumo que a ciência tome, ou as provas que apresente, ou as mudanças sociais que ocorram, ou tecnologias que surjam, ou as conquistas feitas… nada disso. Nada parece nos distanciar de um rótulo bem simplificado: loucas. Qualquer indício de comportamento que os homens não entendam, fica decretado: somos loucas. Em outros tempos tínhamos mais status, éramos consideradas bruxas ou santas por nossas “esquisitices”, mas os tempos mudaram, o mundo ficou menos romântico e hoje somos só isso.

Às vezes os cientistas ainda tentam. Eles identificaram e popularizaram termos como TPM, pra tentar explicar ao mundo o que acontece nesse invólucro misterioso de bunda e peitos. Adiantou? Claro que não. A sigla se virou contra nós. Desde que ficou conhecida não podemos discordar de nada que fica óbvio: é TPM. Nunca é diferença de opinião, cansaço, ou stress, ou tristeza, ou raiva, ou dor como nos seres humanos normais (os homens). Outra coisa engraçada é ver a neurose da moda sempre ligada às mulheres. Porque é claro que se você não está de TPM, não pensa como eu e não reage como eu você só pode ser bipolar. Não que cientificamente o gênero feminino esteja mais propenso a essa também, mas e daí? Se parece não fazer sentido é insano, se é insano é feminino.

Por quê não dizer o mesmo das disparidades do comportamento masculino?A raiva masculina é muito melhor justificada, melhor compreendida, mais digna. Pode até estar errada, mas é plausível, não é motivo de riso. Sim, porque se  um homem levanta a voz em uma loja contra algum absurdo, ele perdeu a paciência com aquele abuso e tem toda razão. Se uma mulher faz isso ela é barraqueira. Se um homem tem acessos inexplicáveis de violência, se abre fogo contra estranhos (e não há como negar que na esmagadora maioria das vezes são os homens que fazem isso) ele só está sendo mau. Às vezes nem isso…  Se um jovem ao final de uma partida de futebol se joga brutalmente contra as costas de um colega, até causa indignação no começo, mas depois todo mundo entende. “Foi o calor do jogo”, “ele é jovem, não vamos exagerar”. Foi chamado de “covarde”, de “criminoso”, mas não ouvi ninguém dizer que ele é louco e ninguém procurou explicações no seu aparelho reprodutivo. Ah, se fosse uma mulher…

Sim, temos um comportamento cognitivo diferente. Sim, temos um jeito diferente de lidar com a emoção.  Sim, tem dias em que o estrógeno torna  tudo mais difícil e às vezes podemos até ter o “sexto sentido maior que a razão”. Mas será mesmo que evitar a todo custo o que se sente é mais racional? Será mesmo que nossos arroubos emotivos não podem ser um mecanismo inteligente de proteção ao invés de meros chiliques? Será que o que uma mulher diz quando está nervosa deve ser tão ignorado assim? Será que não há sensatez? Não seria mais justo dizer que pessoas de todos os gêneros estão sujeitas a se deixar levar por outras coisas que não a lógica? E também não é justo reconhecer que ainda quando somos mais impulsivos podemos estar sendo movidos pela razão, mesmo que não pareça? Talvez  seja hora de pensar que apesar de homens  não entenderem lágrimas, elas mereçam algum crédito.

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Uma resposta para Será que eu sou louca… ou só mulher?

  1. Isa disse:

    Gostaria de dizer que sofro muito por ser FEIA presciso de ajuda me indiquem porfavor algum psicologo deixem nesse twitter o recado Danubia_pop muito obrigada bella.

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